Por Ruy Fontes – Agência #movidos

Nem mesmo a crise gerada pela pandemia do Covid-19 conseguiu frear a expansão da energia solar distribuída no Brasil, que cresceu 127% no primeiro quadrimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019.

Segundo o banco de dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), foram 59.276 sistemas conectados de janeiro a abril neste ano, comparados aos 26.106 do ano passado.

Em abril, mês em que o mercado foi mais afetado pela paralisação, o número de novas conexões ainda foi cerca de 24% superior ao mesmo período de 2019.

Iniciado em 2012, ano em que a Aneel promulgou as regras da geração distribuída, o mercado solar cresce continuamente no país a uma média anual acima de 200%.

Hoje, já são quase 237 mil brasileiros que utilizam a placa de energia solar para gerar a própria energia, economizar na conta de luz e ainda ficar imune à inflação energética.

De acordo com os dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), esses projetos já acumularam R$ 12,8 bilhões em investimentos e geraram 130 mil empregos desde 2012.

A grande maioria (72,4%) dos sistemas instalados são de consumidores residenciais que, durante a quarentena, tiveram uma nova prova das vantagens econômicas oferecidas pela tecnologia.

Mesmo com o aumento do consumo devido ao maior tempo dentro de casa, quem já tinha o sistema instalado continuou economizando até 95% na conta.

Além disso, eles também já se encontram imunes aos novos aumentos no preço da energia, originados pela crise do Covid-19 e que afetarão o bolso dos brasileiros pelos próximos anos.

Somente o empréstimo emergencial programado pelo governo para ajudar o caixa das distribuidoras durante a crise, e que será pago em parte pelos consumidores durante 5 anos, deverá inflacionar em até 20% o preço da energia.

Também a alta do dólar, que já passou a marca de R$5,50, irá trazer novos aumentos na conta devido ao preço da energia vendida pela Itaipu, precificada na moeda americana.

Essas novas ameaças ao bolso reacenderam o interesse dos consumidores pelos sistemas fotovoltaicos, tecnologia com mais de 25 anos de vida útil e com baixa manutenção.

Impulsionada pelos preços em queda e dezenas de linhas de financiamento disponíveis, a aquisição dos sistemas está mais acessível e, em alguns casos, permite quitar a parcela com a economia obtida na conta.

Com esse cenário favorável e a grande disponibilidade de luz solar, a fotovoltaica deve continuar crescendo no país, ajudando para a geração de empregos e na recuperação econômica do Brasil pós-Covid-19.