Por Giulia Palermo Tani

Este ano, o Dia Internacional das Mulheres (8 de março) foi celebrado pela ONU com o tema “Eu sou a Geração Igualdade: concretizar os direitos das mulheres”. A data relembra não apenas a luta feminina por direitos básicos ao longo da história, mas também levanta o debate sobre o que ainda precisa ser feito em relação à igualdade de gênero.

Para a Heloísa Agudo, autora do material do Sistema de Ensino pH, um dos agentes fomentadores dessa discussão é a escola. Por isso, promover atividades que provoquem mudanças efetivas é um dos caminhos para incluir todos nessa conversa.

“O Dia Internacional das Mulheres pode ser usado como ponto de partida para discussões sobre gênero, suscitando ações que promovam a igualdade de direitos. É preciso fugir de dinâmicas que reforçam os estereótipos, como flores para as meninas, por exemplo. Atividades interdisciplinares, pesquisas sobre a conquista de direitos civis por mulheres são exemplos de boas ações”, sugere Heloísa.

A professora e autora também reforça a importância de a escola trabalhar com livros didáticos e paradidáticos que tenham diversidade de gênero, etnias e religiões. “Os contos de fadas são extremamente machistas, mas professores e professoras podem trabalhar a reescrita desses contos por alunos e alunas, propondo personagens femininos que sejam mais proativos”, sugere.

A escola também consegue repensar a igualdade de gênero modificando o uso de seus espaços, como por exemplo, disponibilizando a quadra ou o campo para as meninas jogarem futebol.

“É importante também mostrar aos meninos que atividades associadas às meninas podem ser feitas por eles, especialmente as artísticas. Ainda há muita resistência de profissionais de educação ao ver um menino brincando com boneca. Essas atitudes reforçam os estereótipos de gênero”, explica.

Por fim, a escola precisa estar atenta à representatividade presente em seu corpo docente. Segundo Heloísa, exemplos de mulheres em altos cargos e com carreiras consagradas estimulam as alunas a perseguirem carreiras de acordo com suas áreas de interesse e não influenciadas pelo estereótipo de “carreira feminina” ou “carreira masculina”.

Quando se trata de estereótipo de carreiras, resgatar a história ajuda a instigar as alunas. No caso de programação de computadores, por exemplo, a carreira é constantemente associada aos homens, mas os professores podem citar que sua criadora foi uma mulher do século XIX: Ada Lovelace. “É preciso mostrar sempre que não existem papéis definidos para cada gênero e instigar igualmente meninos e meninas”, finaliza.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/03/2020

Foto: Marcelo Casal Jr/Agência Brasil